quinta-feira, 22 de julho de 2010

Solução

Nunca imaginei que a distância, ao mesmo tempo que fosse um antídoto para os maus sentimentos, também fosse um veneno para os bons. Afastar-se de tudo que se ama é sinônimo de sacrifício, no entanto, tentar é sempre algo a se fazer. Mas estar longe nunca significou estar só, pelo menos para mim.
Agora, à medida em que o tempo passa, um laço gigantesco parece pressionar todos os frágeis músculos do meu coração já seccionado. Cada minuto que eu pacientemente aguardo não parece resolver sequer um milésimo da quantidade de problemas que me cercam. O tempo também não parece esclarecer.
Se "afastar" e "aguardar" já não cabem mais como solução, a que eu recorreria para tornar os dias menos desagradáveis? Não há solução.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vazio

Como uma caixa sem propósito algum no mundo, ela se encontrava. Um vácuo tomava conta de seu peito, já fatigado pelas desilusões que há muito sofrera. Sentia-se só, porém segura, afinal nada mais podia reabrir as feridas. Nada reavivaria seu tédio, seu ódio, sua tristeza... Agora ela simplesmente existia. Tão só que não sentia o abandono e nem vontade de companhia. Não sentia nada. Apenas o vazio.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que ainda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

(Chico Buarque e Tom Jobim)

sábado, 1 de agosto de 2009

Chega de Saudade

Vai, minha tristeza,
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse,
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim,
Não sai

Mas, se ela voltar,
Se ela voltar que coisa linda,
Que coisa louca,
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Volta

Finalmente conseguira respirar. Depois de uma eternidade - ao seu ver parecia uma eternidade - pôde olhar em seus olhos mais uma vez. Sentir a temperatura sempre morna de sua pele. O coração batendo novamente. O ar macio e doce que saía de seus lábios a encantava como antes. Talvez fosse até melhor que antes, pensava ela.
A única certeza que tinha no momento era que não queria mais sair dali. Nunca mais. Queria voltar ao que costumava ser. E continuar existindo ao lado dela.
Porque, no fundo, somente isso importava. Somente isso.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

The animals are gone

Woke up them for the first time
The animals were gone
It's left this house empty now
Not shure if belong
Yesterday you asked me
To write you a pleasant song
I'll do my best now
But you've been gone for so long

Window is open now
And the winter settled in
We'll call it christmas
When the adverts begin
I love your depression
And i love your double chin
I love almost everything
That you bring to this offering

Oh, i know that i've left you
In places of dispair
Oh, i know that i love you
So please throw down your hair

At night i trip without you
And hope i don't wake up
This waking up without you
It's like drinking from an empty cup

Woke up them for the first time
The animals were gone
Our clocks are ticking now
So before our time is gone
We could get a house and some boxers and on the lawn
We can make babies in accidental songs

I know i've been a lier
And i know i've been a fool
I hope we didn't break it
But i'm glad we broke the rules
My cave is deep now
Yet your life is shining through
I cover my eyes
Still what i see is you

Oh, i know that i've left you
In places of dispair
Oh, i know that i love you
So please throw down your hair

At night i trip without you
And hope that i don't wake up
This waking up without you
It's like drinking from an empty cup


(Damien Rice)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Decisão (parte III)

Os sentimentos se confundiam ali. Sentiam o amor derramar-se de forma trágica e peculiar. Sentiam algo que nunca haviam sentido. Seria o desespero? O ar da razão vencendo a emoção?
Estavam ali. Juntas. E talvez juntas pela última vez. Conscientes, sabiam que tudo havia dado errado. Que tudo fora, de certa forma, em vão.
O amor não importava mais. A vida não importava mais. Nada importava mais. Sabiam o que estava por vir. Sabiam que, mais uma vez, as palavras magoariam. No entanto, quem sabe, desse jeito as palavras machucariam menos. Quem sabe a dor seria menor. Precisavam tentar.
Segura, caminhou pelo quarto até encontrar uma forma menos dolorida de dizer o que decidira. Mas, antes que pudesse dizer ou pensar no que dizer, sua companheira lhe disse:
- Bom, vamos. Diga logo o que tem a dizer. Reconheço que errei. Me desculpe...
- Não precisa se desculpar. Não estou bem, você sabe...
Ela sabia. Sabia de tudo. Tudo que magoara a mulher que tanto amava. Tudo que fizera com que ela colocasse tudo a perder.
Apesar dos fatos o amor permanecia. Cada vez maior. Cada vez mais intenso. Mesmo que as duas tenham concordado em partir.